O coração hostil e o poder da língua

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“Cuidado com o coração hostil” – essa tem sido, durante muitos anos, a advertência que o Dr. Redford Williams, do Centro de Pesquisa do Comportamento da Universidade Duke, alertando as pessoas que uma personalidade hostil pode nos matar… e também causar grandes danos a outras pessoas.

Um coração hostil pode nos matar de várias maneiras, devido a ferimentos e acidentes, mas principalmente por diversos problemas cardíacos motivados pela ira. Alguns indicadores de um coração hostil são: impaciência com atrasos; desconfiança para com colegas de trabalho; impaciência com hábitos de outras pessoas, amigas ou não; necessidade de dar a última palavra, mesmo que não tenha razão; ser duro e ferino nas suas palavras. E, geralmente, um coração hostil mata mais pelas palavras duras e amargas que fala do que pelos gestos incontidos que apresenta.

“Deixe-me ver sua língua” – geralmente, é uma das primeiras coisas que um médico diz quando examina um paciente. Frequentemente, algumas enfermidades podem ser diagnosticadas apenas olhando a boca e a aparência da língua de uma pessoa. Em termos de saúde emocional, isso é ainda mais verdadeiro, pois a maneira de falar de uma pessoa revela o que de bom ou ruim se passa em seu interior. Em razão disso, Jesus falou: “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6.45).

Um coração hostil, conquanto possa causar danos pelo poder das palavras mortíferas que de si transborda, também trabalha contra si mesmo, contaminando-se e matando-se aos poucos. Isso é indicado nas seguintes palavras de Jesus: “Não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem. Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem” (Mateus 15.11,18). Sabedor disto, o sábio Salomão oferece este conselho: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4.23).

Decerto, um coração hostil pode gerar a morte, assim como um coração amável pode gerar a vida. Conforme está escrito: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” (Provérbios 18.21).

Lembro-me de um fato ocorrido entre o banqueiro J. P. Morgan, um homem muito rico e experiente, e Bernard Baruch, um jovem e ambicioso empresário. Este queria muito a participação do banqueiro como sócio na exploração de minas de enxofre no Oeste americano. Os geólogos haviam feito um relatório favorável, mas apontaram alguns riscos que deveriam ser superados. Morgan estava visivelmente interessado, até que Baruch disse: “Você já fez jogadas mais arriscadas do que esta”.

Morgan olhou para ele e replicou: “Eu nunca jogo”. A palavra jogo arruinou o acordo. A razão é que Morgan acreditava que investimento era algo respeitável, mas jogo era algo pecaminoso. Uma mera questão de ponto de vista, mas ressaltada porque uma palavra, mesmo proferida inocentemente, custou milhões de dólares.

Isso pode nos levar a pensar que meras palavras – proferidas inocentemente ou ditas de modo malicioso – podem causar danos enormes. Podem arruinar negócios, macular reputações ou destruir os relacionamentos mais fortes. Isso nos fala do imenso poder que a língua tem.

Tiago escreveu: “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo”. E acrescentou que, para isso, é preciso dominar primeiro a língua. Nesse texto, ele foi claro e incisivo em sua advertência quanto ao poder da língua, mostrando que é mais fácil controlar um cavalo, dirigir um enorme navio e domar todos os tipos de “feras, de aves, de répteis e de seres marinhos” do que controlar a língua (Tiago 3.2-8).

E Tiago mostra a razão disso: “Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno”.

A maneira como utilizamos a língua, o nosso modo de falar, tudo isso revela muito sobre o estado do nosso coração, se hostil ou amável. Nossas palavras mostram educação e refinamento, ou a falta dessas qualidades. Os assuntos que gostamos de discutir apontam nossos interesses principais na vida, pois revelam que falamos sobre as coisas que mais amamos.

Algumas pessoas se acham muito religiosas, mas ninguém contou isso para suas línguas. A esses Tiago diz: “Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tiago 1.26).
Ora, se alguém deseja manter a língua sob controle, deve começar por fazer a oração do salmista: “Põe guarda, Senhor, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios” (Salmo 141.3). Mas deve, sobretudo, pedir a Deus: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável” (Salmo 51.10).

Isto porque, não de um coração hostil, mas somente de um coração puro, é que podem brotar palavras que geram vida.

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