O problema

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O problema

Texto básico: Êxodo 1—2

Textos de apoio
– Gênesis 1.26-31
– Gênesis 9.1-19
– Gênesis 12.1-9
– Gênesis 28.1-5
– Romanos 6.1-23
– Gálatas 4.1-11

Introdução

Os primeiros dois capítulos servem de boa introdução ao livro. Eles apresentam as personagens principais dessa trama: o faraó e o Senhor (YWHW), e os hebreus ou “filhos de Israel” e Moisés como coadjuvantes. Assim, expõem o problema que o restante do livro irá resolver.

Penso que no nível narrativo, essa introdução está demarcada por um contraste entre as personagens principais: O relato começa dizendo que “subiu ao trono do Egito um novo rei, que nada sabia sobre José” (1.8) e termina dizendo que “muito tempo depois, morreu o rei do Egito […] Deus olhou parar os israelitas e viu a situação deles” (2.23, 25). Surge um novo rei e morre o rei. Esse rei na sabia de José. O verbo hebraico usado aqui é yadah, conhecer (veja RA, “não conhecera”). Por outro lado, Deus viu a situação deles, “atentou para a situação deles” (RA), “atentou […] e conheceu os” (RC). A mesma raiz hebraica do 1.8 ocorre aqui no 2.25. Alguns acham que apesar de idênticas, a raiz do 2.25 é de outro verbo que tem o sentido de “atentar”. Seja como for, o contraste é claro. O faraó não conhece nem se importa, Deus ouve, se lembra, vê, se importa (2.23-25). Esse contraste percorrerá toda a narrativa da primeira parte de Êxodo.

Esse é o cenário inicial. O faraó é caracterizado como alguém que não tinha conhecimento de José, seja de sua contribuição para o Egito ou de seus descendentes. Porém, ele nota esse povo porque os israelitas estão se tornando numerosos e podem ser uma ameaça a ele (1.9-10). Deus é caracterizado por alguém que está atento, ele ouve, vê, se lembra (2.23-25; 3.7). Esse talvez o principal problema estabelecido e que a narrativa irá resolver. Afinal, quem é o verdadeiro Deus e quem os israelitas irão servir?

Os israelitas estão caracterizados como um povo fecundo e que se multiplica, porém, que estão à mercê do rei do Egito, portanto, um povo oprimido pela escravidão e que clama a Deus.

Moisés, que se tornará uma figura importante no decorrer de toda essa história, também nos é apresentado como a criança que nasceu em meio a um decreto do faraó de matar todo menino recém-nascido. Não deixa de haver uma ironia no fato de ele conseguir sobreviver e ser capturado pela filha do faraó. Será criado no palácio do rei e se tornará peça chave na libertação e condução do povo.

Diante disso, vários problemas são apresentados aqui. Será que podemos identificar alguns desses problemas? Leia com atenção Êxodo 1-2 e reflita sobre as seguintes questões:

  1. Qual é o problema do faraó (1.8-10)?
  2. Qual é o problema dos israelitas (1.12-14, 22; 2.23)?
  3. Qual é o problema de Moisés (2.11-15)?
  4. Diante dos diversos problemas e ameaças, onde encontramos no texto sinais de que o cenário está prestes a mudar? Ou seja, há esperança? Como o texto indica isso? (p.ex., 1.12, 17; 2.5-10; 11-12, 20-22, 23-25).

Para entender o que a Bíblia fala

1. Leia Gênesis 1.28; 9.1 e 24.3-4 e preste atenção em alguns verbos que se repetem nesses textos. Agora leia Êxodo 1.7. O que isso nos diz a respeito da ligação dos filhos de Israel aqui em Êxodo com a história que precedeu em Gênesis?

2. Observe a diferença do tempo e modo dos verbos dessas passagens. Em Gênesis estão na forma imperativa (ou subjuntiva). Denotam ordenança, promessa ou bênção. Em Êxodo estão no indicativo passado. O que podemos concluir disso?

3. Leia 1.8-22. Quais são as três maneiras de o rei do Egito tentar conter o crescimento dos israelitas? E por que ele não consegue impedir o seu crescimento?

4. Observe a relação entre o que o faraó está tentando fazer aos israelitas e as promessas de Gênesis (os textos indicados acima). Por que é que o faraó nunca será capaz de impedir o crescimento do povo?

5. Leia 1.13-14. Destaque quantas vezes aparece o verbo ou substantivo que denotam trabalho, serviço, escravidão. No original hebraico, a raiz ‘avad, “serviço/escravidão” ocorre cinco vezes na forma verbal ou nominal. Uma raiz que ocorre várias vezes em apenas dois versículos sugere o quanto o autor está querendo enfatizar aquela ideia. Diante disso, o que esses versículos estão querendo que você entenda a respeito do serviço dos israelitas? A quem e como os israelitas estão servindo?

6. Qual foi a reação de Moisés, depois de adulto, quando notou a situação do seu povo? (2.11-14).

7. Moisés teve a sensibilidade, a visão e a iniciativa de ajudar o seu povo. Por que não obteve êxito?

Hora de avançar

Temos uma boa notícia e uma má notícia. Essa história começa mostrando que os israelitas foram fecundos, se multiplicaram e encheram a terra. Sinal de que as promessas do Gênesis estão se cumprindo. A má notícia é que eles estão em terra estranha, não na terra prometida, foram esquecidos pelo rei e estão sendo oprimidos, isto é, servem um rei que não se importa com eles. A outra boa notícia é que o Deus de seus antepassados não se esqueceu deles, ouviu o seu clamor e se lembrou da aliança.

Esses dois capítulos introduzem o dilema e aqui já conseguimos perceber algumas ideias que irão percorrer toda a narrativa. Uma é a do serviço, trabalho, escravidão e a outra é do conhecimento. Os israelitas servem um rei que não se importa com eles, e não conhecem o Deus que se importa com eles. A libertação envolverá não só sair daquela situação, se livrar da escravidão, mas, sobretudo, deixar de servir o faraó para servir a Deus, e conhecer ou confessar esse Deus.

Talvez a grande pergunta levantada aqui seja a quem pertencem os israelitas? E a quem os israelitas estão servindo?

O problema a ser resolvido não é só como os israelitas sairão dessa situação ou quem os livrará disso, mas por quê e para que sairão dessa situação.

Leia novamente Romanos 6 e preste atenção como Paulo descreve a obra de Cristo em nós.

Para terminar

1. Olhando para os israelitas, diante das dificuldades, o que fizeram?

2. O que podemos aprender com esse texto para nos ajudar a enfrentar as situações adversas em nossa vida?

3. Há situações adversas que passamos e que queremos fazer alguma coisa para mudar aquilo? O que devemos fazer diante disso?

4. O que você aprendeu com o estudo dessa passagem?

Autor do Estudo: pr. Billy Lane

Fonte