Sonhando com as multidões

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A visão das pedras na praia

Há aproximadamente vinte anos, eu estava separado em um de meus momentos de jejum e oração em um certo lugar. Lá, por várias vezes, estive à beira de uma praia, no extremo leste da cidade de Santarém. Era por volta do mês de outubro, uma época do ano em que os rios Amazonas e Tapajós estão bastante secos; este é um lugar cheio de árvores praianas e debaixo das quais eu buscava ao Senhor. Naquele momento eu estava orando para que Deus fizesse grandes coisas na igreja e através de minha vida também.

Nessa época a Igreja da Paz em Santarém ainda não era uma só igreja, ou seja, cada igreja era autônoma em sua administração. Eu congregava e auxiliava o pastor de uma pequena congregação no bairro Santana, na zona leste da cidade, como obreiro voluntário, responsável pelos jovens e pelo ministério de louvor da igreja; era uma pequena igreja local, com aproximadamente cerca de cem membros naquele momento; e desde minha conversão me envolvi ali naquela igreja como um membro ativo, por catorze anos.

Sempre acreditei que Deus não usa pessoas perfeitas ou necessariamente habilidosas, mas pessoas que estejam disponíveis, até mesmo pessoas que, aos olhos humanos facilitam a rejeição. No momento em que eu orava, comecei a observar uma área da praia que era cheia de pedras pequenas conhecidas como “pedras jacaré”. Aquelas pedras estavam tão juntas umas das outras por várias dezenas de metros na extensão da praia. Deus começou a me mostrar, naquelas pedras, a visão de uma grande multidão como que reunida para algum evento.

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O Espírito Santo começou a ministrar no meu coração, e a me dizer que eu veria milhares de pessoas celebrando Jesus com alegria diante Dele. Hoje, em Santarém, podemos ver em nossos eventos, às vezes dez, quinze, vinte mil pessoas reunidas em um único lugar, dependendo de qual seja o evento realizado. Naquele momento da visão na praia, comecei a chorar diante do Senhor e lhe pedir que fizesse conforme tinha mostrado. Deus quer que sonhemos com multidões de vidas que Ele deseja salvar; elas estão ao nosso redor como os campos brancos sobre os quais Jesus falou a seus discípulos.

Abraão é um tipo de pai de multidões no Antigo Testamento

Quando Deus chamou Abraão para fazer dele uma grande nação ele não tinha filhos. Mas, Deus sabia o que estava para fazer através da vida de Abraão. Na verdade, nem caráter de pai ele tinha, muito menos ainda para ser pai de uma nação, o que representaria o caráter de Deus na terra. Porém, Deus passou vinte e cinco anos moldando a vida de Abraão, até que ele estivesse pronto para passar à sua posteridade, aos filhos que viriam, o tipo de mentalidade, caráter e conduta que o povo de Deus deve ter na terra.

Quando pensamos sobre o processo de gerar uma multidão no Antigo Testamento, lembramos logo de Abraão. Sim, ele é o nosso referencial veterotestamentário na formação de um pai de multidões. Um pai é um modelo divino que será reproduzido na vida de seus filhos. Por isso demorou tanto tempo, pois Deus foi tão cuidadoso em trabalhar na vida de Abraão para que este fosse o tipo de pai que Deus queria que se reproduzisse na terra, transferindo assim os princípios de D’ele para suas gerações.

Jesus é um tipo de pai de multidões no Novo Testamento

Jesus é o nosso modelo perfeito que devemos seguir na formação de um pai de multidões no Novo Testamento. Foi por isso que Ele ensinou a seus discípulos o cominho básico para se tornarem pais de multidões. Observamos seus ensinos em textos, como Marcos 8.34, onde Ele disse: “Se alguém quer ser meu discípulo (do tipo pai de multidões – ênfase acrescentada), negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Outro texto é o de João 12.24, que afirma: “Se o grão de trigo, caindo na terra não morrer, ficará ele só, mas se morrer, gerará muito fruto”. Para frutificar temos que morrer para nossas velhas estruturas de caráter (isto é, refinamento na vida pessoal) e nas nossas estruturas eclesiásticas (a forma como vemos a igreja).

No Evangelho de João 15.1-8, Jesus nos ensina sobre a necessidade de estarmos ligados a Ele e a necessidade de sermos podados para que os frutos possam aparecer em nossas vidas. Esta é uma grande verdade da Palavra de Deus. Ninguém pode se tornar pai de multidões se não tiver o seu caráter forjado por Deus para isso. Se foi assim com Abraão, assim será conosco também. E Deus quer nos levar pelo caminho mais fácil, nos trazendo a conferências, EDD’s, Encontros com Deus, e muitos outros, a fim de facilitar o nosso entendimento, para que se evite perdas maiores pela nossa falta de estrutura e conhecimento sobre a forma como Deus edifica o seu Reino.

Conclusão

Para ter o caráter de um pai de multidões, às vezes é necessário muito tempo de preparação e treinamento. Nesse tempo de treinamento precisamos ouvir o agora de Deus, como Abraão, em Gênesis 22. Aprender a lidar com o nosso caráter agora e com o caráter de nossos discípulos. Conheça o caráter e o coração dos discípulos. Há um tempo necessário de formação no processo da visão, mas não desista. Espere Deus dizer a você “agora sei que temes a Deus”, pois foi isso que definiu a aprovação de Deus na vida de Abraão (v. 10-12).

Quando é esse agora? Quando estivermos disposto a negar a nós mesmos; abrir mão de tudo o que Deus nos pedir. Só assim estaremos à altura de um caráter formador de multidões, e os resultados começarão a acontecer apartir daí. Aleluia!

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