Brilhando como a luz da aurora

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Um velho sábio pergunta a seus alunos: “Como podemos saber que a noite é finda e o dia está raiando?”. Um dos alunos responde: “Quando vemos uma árvore à distância e sabemos se é uma mangueira ou um jambeiro”. “Quando vemos um animal e sabemos que é uma raposa, não um lobo”, responde outro.

“Não”, disse o mestre. Os alunos, confusos, esperam a reposta. O sábio calmamente responde: “Sabemos que o dia está raiando quando vemos outra pessoa e sabemos que é nosso irmão ou irmã. Do contrário, não importa que horas sejam, ainda é noite”.

Esta pequena ilustração mostra o quanto é importante enxergar o “outro” pelo seu valor intrínseco como pessoa, pelo que Deus lhe conferiu, não por causa de aparências, títulos ou conveniências sociais. É uma pessoa, merece respeito. É alguém por quem Cristo morreu, merece respeito. E respeitar as pessoas, não importam as diferenças, é uma forma inconteste de demonstrar amor.

Creio que essa verdade perpassava a mente de Jesus quando se dirigiu a Seus discípulos e recomendou e “receita” que os identificaria como “seus discípulos” perante o mundo: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.35).

Uma das mais sutis formas de desrespeito é o não reconhecimento do labor de alguém, só pelo fato de seu trabalho ser “diferente”. Não enxergar ou desrespeitar diferenças é o mesmo que querer fazer um jambeiro parecer com uma mangueira; ou o lobo parecer com uma raposa.

Antoine Saint-Exupéry disse: “Tudo que o homem ignora não existe para ele, por isso a Criação se reduz, para cada um, ao tamanho do que abrange o seu saber”. O saber limitado carrega em si um monte de preconceitos, exatamente para dar um verniz de cultura à própria ignorância. E quando o saber não consegue ajudar, apenas o olhar do coração poderá nos fazer ver o que a mera aparência distorce.

Por exemplo, imagine que devêssemos eleger “o líder do mundo” e que o seu voto seria determinante. Você recebe os dados dos três principais candidatos, sobre os quais lê o seguinte: “Candidato A” – está associado a políticos corruptos e consulta astrólogos, tem duas amantes, fuma como uma chaminé e bebe de oito a dez martinis por dia. “Candidato B” – já foi destituído duas vezes de funções públicas, dorme até o meio-dia, fumava ópio na escola e bebe um quarto de litro de whisky todas as noites. “Candidato C” – é vegetariano, herói de guerra condecorado, ocasionalmente toma uma cerveja e nunca teve casos extraconjugais.

Entre esses três candidatos, honestamente, qual você escolheria?

Lembre-se: as aparências enganam. Portanto, não faça uma escolha apenas pela aparência das coisas. Escolha com o coração, pois quem escolhe com o coração enxerga coisas que nunca seriam vistas por todos.

Mas vamos às definições: O “Candidato A” é Franklin D. Roosevelt. O “Candidato B” é Winston Churchill. O “Candidato C” é Adolf Hitler.

Agora, passemos a outra questão. Como você se comporta quando se sente “iluminado” e passa a enxergar melhor o mundo ao seu redor?

Certo homem, por causa da catarata, passara muitos anos sem enxergar, a não ser borrões. Depois de passar por uma delicada cirurgia, passou a usar óculos fundo-de-garrafa. O homem ficou maravilhado com as paisagens, a beleza das cores, que há muito não via. Mas seu nariz protuberante protestou veementemente: “Chega, é muito peso! Se quiseres olhar bem, coloque esses óculos em outro lugar, não em mim. Eu não preciso deles!”.

Depois de muito protestar, finalmente foi atendido. Na primeira caminhada “sem óculos”, aquele homem deu uma forte topada e caiu de frente, e foi parar no hospital. Quando saiu, estampava na face os curativos de um nariz quebrado.

Este homem simboliza uma sociedade como um só corpo, que precisa de todos os seus membros, indistintamente. “O certo é que há muitos membros, mas um só corpo. Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários” (I Coríntios 12.20-22).

Às vezes queremos ser exclusivistas, achando que a graça de Deus achou o “caminho certo” em nós, e que todos os outros estão errados. Foi o que ocorreu com os discípulos de Jesus, que proibiram certo homem de expelir demônios em nome de Jesus, simplesmente “porque não segue conosco”. Mas Jesus lhes disse: “Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós” (Lucas 9.49-50).

Pedro aprendeu a lição, e disse: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (I Pedro 4.10). Para alguns, a graça é uniforme; é a “minha” graça, o meu jeito de fazer as coisas. A lógica perversa é esta: se nossos métodos são diferentes, então o “outro” tem de estar errado.

Portanto, responda: “Quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (I Coríntios 4.7).
Assim, não devemos de modo algum confundir graça com conivência, nem humildade com frouxidão moral, tampouco “deixa como está para ver como é que fica” com “vai e não peques mais”. Pois o certo é que “cada um dará contas de si mesmo a Deus”.

Veja que dia está raiando. Respeitar uns aos outros é o primeiro passo de um amor que nos fará conhecidos como seguidores de Cristo. Porque “a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Provérbios 4.18).

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